dimanche 22 novembre 2009

Decibéis


por: Minha foto

Eduardo Lara Resende
http://pretextoselr.blogspot.com/

 


(Imagem:TrapezoidArt)

- Alô, Marina, é a Carol falando... Tudo bem? Ligo pra lembrar nossa reunião hoje... Que reunião? Ué, do movimento de boicote ao Shopping que começou a cobrar pelo estacionamento... Já esqueceu?

- Ai, meu Deus, esse passarinho... Que passarinho? É um danado que apareceu aqui na rua, faz uns dois meses. Começa a cantar às cinco da manhã e só fecha o bico à noitinha... Sei lá, Marina, que passarinho é... O Pistum disse que falaram pra ele que é sabiá-laranjeira. Pra mim, tanto faz sabiá-laranjeira, mexeriqueira, abacateiro – o que for. É um chato.

- Mas voltando à reunião: vamos deflagrar o movimento com uma passeata em frente ao Shopping e precisamos combinar as ações. Somos cidadãs, Marina, e temos que defender nossos direitos. Minutinho, amiga...

- Pronto, fui pedir ao Pistum pra baixar um pouco o som. Quem é o Pistum? Ô, Marina, não estou reconhecendo Você... Pistum é o meu filho Ricardo, que Você está cansada de conhecer. Ah, Pistum é porque lembra a sonoridade da marcação dos funks que ele vive ouvindo a toda altura, lá naquele quarto. Sai de lá não, minha filha, só pra ir à escola, tomar banho e comer. Peço pra maneirar o som quando estou ao telefone e à noite, na hora da novela. Fora isso, fica lá se divertindo. Melhor que perambular pela rua fazendo coisa que não presta, né não?

- Ô passarinho chato, gente! Xô, passarinho, xô... Ué, Marina, Você está rindo? O quê? Galinha? Fala mais alto... Galinha? Xô é pra espantar galinha... – é isso? Eu quero é ficar livre desse passarinho, porque eu acabo ficando doida com esse piu-piu-piu que não para. Vontade de soltar um foguete bem na copa daquela árvore... O quê? Ah, da reunião?

- Pois é, a gente vai elaborar os cartazes, designar a comissão organizadora do abaixo-assinado... Você vai, né? O quê? Fala de novo, Marina, eu não ouvi... Toda a frota de ônibus urbano do município passa aqui em frente. E ainda tem o barulho dos lixeiros. Parece que eles estão desmanchando o caminhão a marretadas, no meio da rua. Ô gente sem noção, cruz credo!

(Silêncio)

- Alô, Marina? Desculpe, é que fui até a janela, jogar um cabo de vassoura na copa da árvore pra espantar aquele raio de passarinho. Mas não tive força suficiente e o pau caiu bem na cabeça do carteiro, que atravessava a rua na hora. Maior mico, menina, tive que me abaixar pra não ser vista. Mas quanto à reunião... Alô, Marina.... Marina, alô, V. ainda está aí? Alô!

- Desligou. Também, com essa titica de passarinho azucrinando a cabeça da gente, não há cidadania que resista.

jeudi 12 novembre 2009

AUSÊNCIA

Quando minha voz
se fizer
ausência, entenda o silêncio
como prova da verdade.

          Arrume as palavras deixadas
          entre folhas, faça frases
          e desordene parágrafos.

Minha voz ausente
estará diante
do esforço. Concentre sua hora
na descoberta dos traços.

Risque as letras e deixe em branco
a parte inferior do silêncio.

(Pedro Du Bois, inédito)

outros poemas:
http://pedrodubois.blogspot.com
http://valeemversos.blogspot.com

jeudi 15 octobre 2009

POESIA SALMOAOAMOR ENVIADO DESDE LA ATLANTIDA


SALMO AO AMOR
por: Víctor Manuel Guzmán Villena 

Ao amar-te meu coração se enche de ternura
cantados ao som da partitura de sua vida
que emiti reflexos coloridos que derramam
no fundo ilusório dos espelhos do destino

És a dama de meus doces sonhos
que viajas nas cores irrecuperaves do céu
para emergir nas nascentes do tempo eterno
e no sono e sonhos que morrem a cada dia

Eu sou a imagem que se desloca de seu amor e de seu tempo
que penetro em teu circulo com ....Para continuar con la
lectura por favor abrir en la siguiente dirección:
 

mercredi 14 octobre 2009

Sonhos

Homenagem a Miguel Russowsky e Mercedes Sosa




A rotina me assusta e desencanta,
faz meus sonhos dormirem sem cessar.
E quando chega a noite a me assombrar,
meus pesadelos o temor levanta.

Faço de conta que chorar adianta
e que é melhor estrelas eu contar:
deitada fecho os olhos, tomo ar...
consigo ver Castor que se agiganta

e me encoraja a crer que inda é possível
mudar o rumo de uma noite triste
porque a esperança é luz que não desiste.

O dia acorda e a estrela inda é visível,
pois que seu brilho a toda dor resiste
trazendo, à vida, o sonho que persiste.


© Márcia Sanchez Luz  

http://www.poemasdemarciasanchezluz.blogspot.com/

mardi 13 octobre 2009

Se foi "La Negra"


Temos perdido a Mercedes Sosa."La Negra", como lhe chamavam. Sua voiz não era apenas Argentina, era a voiz universal do indio, do indio massacrado en las Americas y en tantos outros lugares. Para sempre será uma lembrança de que nossa civilização está edificada sobre un enorme crimen.
Nascida apenas a 100 kilómetros de onde eu nasci, sua morte para mim é como a de alguem do meu sangue.
Gloria e louvor para La Negra eterna!



jeudi 8 octobre 2009

Criança - nossa maior esperança!


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mardi 8 septembre 2009

CONDICIONAIS

Se ao acordarmos
estivermos
dividindo
a mesma cama

teremos como exemplo
a divisão
do espaço

teremos como espaço
o exemplo

teremos como cama
o fato

acordar
e recordar
fazem
parte
da mesma sensação
de impotência.